Português europeu
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| Português Europeu | ||
|---|---|---|
| Falado em Portugal (e emigrantes espalhados no mundo). | ||
| Total de falantes: cerca de 11 milhões [1] | ||
| Estatuto oficial | ||
| Controlado pela Academia de Ciências de Lisboa | ||
| Principal responsável pela divulgação mundial | ||
| Instituto Camões | ||
| Dicionários | ||
| Vocabulário Ortográfico da Academia de Ciências de Lisboa: 70 mil |
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| Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (2001): 270.000 | ||
| Porto Editora (2008): 243.000 | ||
O Português europeu, Português lusitano ou Português de Portugal é a uma variante linguística da Língua portuguesa falada em Portugal continental, nas suas regiões autónomas (Madeira e Açores) e pelos emigrantes, que engloba os seus dialectos bem como a sua ortografia, o seu vocabulário e a sua gramática. O Galego pode ou não ser considerado como parte destes dialectos (ver o artigo sobre Língua galega).
De acordo com a legislação da União Europeia, o português é uma das línguas oficiais do bloco político-económico, sendo que em textos internacionais deverá ser aplicada a norma europeia [2]. Também é ensinado em Espanha, sobretudo na zona da Extremadura, dada a proximidade daquela região a Portugal.
Na ausência de normas padrão que ainda não foram instituídas, os outros países lusófonos (à excepção do Brasil) vão seguindo as convenções da norma portuguesa. Esta norma tem como base principal (mas não única) os dialectos centro-meridionais do centro litoral de Portugal, falados em Lisboa e na Universidade de Coimbra. O português europeu é regularizado pela Academia de Ciências de Lisboa [3].
Índice |
[editar] Evolução
A evolução do Português Europeu é pouco conhecida, mas sabe-se que terá sido pela expansão ultramarina de Portugal e na adopção de termos árabes (quer durante a invasão dos mouros quer no contacto com o Norte de África): muitas das cidades no Sul do país comecem em -al. Ao longo dos séculos XVI e XVII, o Português Europeu vai sofrendo regularizações a partir da língua falada na Corte, o chamado Português de Lisboa. Camões usava esta língua nas suas obras, permitindo uma maior projecção importando termos latinos e gregos.
É muito comum associar o Português Europeu como uma língua fechada. Isto ocorre no Século XVII, sobretudo nas vogais -e e -o que passavam gradualmente a [e] mudo e [u] e desapareceriam até aos nossos dias. O som -s (que em muitas palavras é pronunciado com -ch, "pronúncias") viria também a sofrer modificações nesse mesmo século em Portugal e na zona da capital do Brasil na época. [4]
No fim do século XIX, o português ainda apresentava muitas heranças latinas na sua escrita e os verbos eram conjugados de uma maneira ligeiramente diferente. O extracto abaixo do jornal extinto O Portuguez demonstra-nos a tese:
Quantos mais jornaes leio, mais me convenço de que Portugal vae à vela, pelo desamor e pelos desacatos com que a imprensa está tratando a nossa gloriosa língua. [5]
Na altura também era comum a ausência de preposição:
Não ha duvida que o ministro tem essa faculdade.
Para a outra vez diga assim que não diz mal: - Não há duvida [de] que... [6]
Actualmente, o Português Europeu sofre evoluções constantes. A imigração e a abertura ao mundo a partir do 25 de Abril proporcionaram mudanças na estrutura do Português da Europa. Essa abertura também proporcionou muitas introduções de palavras provenientes de línguas estrangeiras. Em 2001, o dicionário da Academia mostrava esta importação, mas afirmava que era necessário o seu aportuguesamento e o seu decalque, defendendo assim a escrita portuguesa. [7]
[editar] Fonologia
[editar] Fonética
Fonética do Português Europeu [8]
[editar] Dialectos
Como é sabido, as línguas como parte cultural da Humanidade variam com o tempo e a sua localização geográfica. Em termos de fonologia, não se pode afirmar que o Português Europeu seja apenas uma pronúncia ou um dialecto, mas sim um conjunto de pronúncias. Dentro do território nacional português existem diversas variações da pronúncia do português: os dialectos. [9]
Os dialectos não são muito diferentes entre si.
- Açoriano (ouvir) - Açores
- Alentejano (ouvir) - Alentejo
- Algarvio (ouvir) - Algarve (há um pequeno dialecto na parte ocidental)
- Alto-Minhoto (ouvir) - Norte de Braga (interior)
- Baixo-Beirão; Alto-Alentejano (ouvir) - Centro de Portugal (interior)
- Beirão (ouvir) - centro de Portugal
- Estremenho (ouvir) - Regiões de Coimbra e Lisboa (pode ser subdividido em lisboeta e coimbrão)
- Madeirense (ouvir) - Madeira
- Nortenho (ouvir) - Regiões de Braga e Porto
- Transmontano (ouvir) Trás-os-Montes
[editar] Área geográfica
O Português Europeu é falado pelos quase 11 milhões de habitantes de Portugal e seus emigrantes espalhados pelo mundo, juntamente com os seus descendentes. A emigração portuguesa contribuiu para a expansão da área geográfica do Português Europeu. Antes do 25 de Abril de 1974, o Português Europeu quase que restrito a Portugal e às suas colónias. Porém, com a vaga de emigração dos anos '80, onde muitos portugueses saíram do país em busca de melhores condições de vida, levou a que o Português Europeu fosse falado em todo o mundo, sobretudo na Europa e na América do Norte: Suíça, Alemanha, França, Luxemburgo, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Também em África do Sul, Venezuela e no Brasil, onde se encontram também grandes comunidades portuguesas.
[editar] Ortografia
Actualmente a escrita do português europeu rege-se pelas normas do Acordo Ortográfico de 1945[10] e pelas alterações introduzidas em 1973[11]. Antes de 1945, a ortografia obedeceu a diversos diplomas, nomeadamente o do acordo luso-brasileiro de 1931[12] e o da reforma simplificadora de 1911[13]. A reforma de 1911 foi profunda, fazendo desaparecer muitas consoantes dobradas, os grupos ph, th, rh, o uso do y, além de outras particularidades.
O aspecto que mais distingue a ortografia portuguesa da brasileira é a manutenção de certas consoantes após as letras a, e e o em palavras como facto, acto, electricidade, adopção, Egipto, etc. Na palavra facto o c é justificado porque é pronunciado. Nos restantes exemplos, as consoantes, apesar de mudas, são mantidas por razões de tradição ortográfica, por questões de similaridade com as demais línguas românicas e porque podem exercer influência no timbre das vogais anteriores[14].
Em relação ao Brasil, há ainda certas diferenças na acentuação gráfica nas vogais e e o tónicas dos vocábulos proparoxítonos (esdrúxulos) que são, muitas vezes, abertas na pronúncia portuguesa e, por isso, são escritas coerentemente: milénio, ténia, económico, António. Os ditongos que-, qui-, gue- e gui- (em que o u é pronunciado), ao contrário do que se passa no Brasil, não levam trema desde 1945[15], ficando palavras como linguística e tranquilidade.
[editar] Gramática
[editar] Regras de acentuação
No Português Europeu, as palavras agudas ou oxítonas que terminam em -a, -e, -o, -ei, -oi, e -eu levam acento agudo: sofá, pé, ré, herói, céu, pastéis, etc.
As palavras graves ou paroxítonas de vogal aberta, ao contrário do português do Brasil, levam também o acento agudo como em bónus.
Por fim, as esdrúxulas ou proparoxítonas levam também acento agudo nas vogais -o abertas como em económico e fenómeno em que no Brasil escreve-se econômico e fenômeno. [16]
[editar] Conjugação
No Português europeu é muito frequente o uso do infinitivo em frase de acção prolongada. Até um certo tempo atrás, a Sul do Rio Tejo, usava-se mais o gerúndio, mas com os meios de comunicação o infinitivo tornou-se mais geral em todo o país[carece de fontes].
[editar] Formalidade
Na maneira de dirigir as pessoas, é mais frequente usar O Senhor, A Senhora, Você em diálogos com pessoas desconhecidas ou mais velhas. Se for para uma pessoa com licenciatura ou de alta patente militar ou política, empregam-se muitas vezes V.ª Excelência ou Sr. Doutor no caso de serem médicos (sendo também muito frequente para professores) ou ainda Sr. Engenheiro.
[editar] Informalidade
No aspecto informal do Português Europeu, utiliza-se sobretudo o pronome pessoal da 2ª pessoa do singular, tu, de forma subentendida ou não.
Andas a tirar a carta de condução?
[editar] Referências
[editar] Livros
- Cunha, Celso e Cintra, Lindley. Nova Grámática do Português Contemporâneo. 12.ª edição. Lisboa. Edições João Sá da Costa. 1996. ISBN 972-9230-00-5
- Cintra, Luís Filipe Lindley. Estudos de Dialectologia Portuguesa. 2.ª edição. Lisboa. Livraria Sá da Costa Editora. 1995. ISBN 972-562-327-4
- Teyssier, Paul. História da língua portuguesa. 6.ª edição. Lisboa. Livraria Sá da Costa Editora. 1994. ISBN 972-562-129-8
[editar] Sites
- ↑ Dado a falta de fontes sobre o número de emigrantes, é colocado o número de habitantes de Portugal
- ↑ Língua oficial da UE [1].
- ↑ Funções da ACL [2]
- ↑ Evolução [3]
- ↑ António Cândido de FIGUEIREDO, Líções Práticas de Linguagem Portugueza. Cartas de Caturra Jr. à redação do Portuguez, vol. I. Lisboa, Imprensa Minerva, 1891. [4]
- ↑ O Portuguez [5]
- ↑ A Questão da Neologia no Português Europeu [6]
- ↑ http://www.phon.ucl.ac.uk/home/sampa/portug.htm
- ↑ Dialectos [7]
- ↑ http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog45_73.pdf Acordo ortográfico de 1945 aprovado pelo decreto n.º 35.228 de 8 de Dezembro de 1945
- ↑ Decreto-lei n.º 32/73 de 6 de Fevereiro
- ↑ Assinado pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras em 30 de Abril de 1931 e aprovada em Portugal pela portaria n.º 7.117 de 27 de Maio do mesmo ano.
- ↑ "Bases da Reforma de 1911", excerto do relatório publicado no Diário do Governo n.º 213 de 12 de Setembro de 1911, in A Demanda da Ortografia Portuguesa, de Ivo de Castro, Inês Duarte e Isabel Leiria, ed. Sá da Costa, 1987, pp. 152-162.
- ↑ http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog45_73.pdf Bases Analíticas do Acordo Ortográfico de 1945, Base VI
- ↑ http://orto.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_12.html Trema
- ↑ Acentuação no Português Europeu [8]
[editar] Ver também
- Português brasileiro
- Português angolano
- Acordo ortográfico de 1990
- Dialecto
- CPLP
- Lista de diferenças lexicais entre versões da língua portuguesa
- Lista de palavras diferentes, no Wikcionário em português

