Juscelino Kubitschek
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Juscelino Kubitschek de Oliveira
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| 21° Presidente do Brasil |
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| Mandato 31 de janeiro de 1956 até 31 de janeiro de 1961 |
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| Vice-presidente | João Goulart |
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| Precedido por | Nereu Ramos |
| Sucedido por | Jânio Quadros |
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| Nascido em | 12 de setembro de 1902 Diamantina |
| Morreu em | 22 de agosto de 1976 (73 anos) próximo a Resende |
| Partido político | PSD |
| Esposa | Sarah Gomes de Sousa Lemos |
| Profissão | médico |
| Assinatura | |
Juscelino Kubitschek de Oliveira (Diamantina, 12 de setembro de 1902 — Resende, 22 de agosto de 1976) foi um médico, militar e político brasileiro.
Conhecido como JK (lê-se jota-cá), foi prefeito de Belo Horizonte (1940-1945), governador de Minas Gerais (1951-1955), e presidente do Brasil entre 1956 e 1961. Foi o primeiro presidente do Brasil a nascer no século XX e foi o último político mineiro eleito para a presidência da república pelo voto direto.
Foi casado com Sarah Kubitschek, com quem teve as filhas Márcia Kubitschek e Maria Estela Kubitschek.
Foi o responsável pela construção de uma nova capital federal, Brasília, executando assim o antigo projeto, já previsto em 3 constituições brasileiras, da mudança da capital para promover o desenvolvimento do interior do Brasil e a integração do país.
Durante todo o seu mandato como presidente da república, o Brasil viveu um período de desenvolvimento econômico e estabilidade política. Com um estilo de governo inovador na política brasileira, Juscelino construiu em torno de si uma aura de simpatia e confiança entre os brasileiros.
Juscelino Kubitschek é, ainda hoje, um dos políticos mais admirados do cenário nacional, e é considerado um dos melhores presidentes que o Brasil já teve, por sua habilidade política, por suas realizações e pelo seu respeito às instituições democráticas.
[editar] Origem e carreira política
Juscelino nasceu em 1902 em Diamantina. Seu pai, João César de Oliveira, foi caixeiro-viajante e exerceu, também, várias outras profissões. Sua mãe, Júlia Kubitschek, era professora e possuía ascendência checa (seu sobrenome é uma germanização do original checo Kubíček) e etnia cigana[1] — JK foi o único presidente de origem cigana em todo o mundo.[2] Juscelino perdeu o pai aos três anos de idade, e, a partir de então, a única fonte de renda da família era o trabalho de sua mãe..[3]
JK gostava muito de futebol, e tinha simpatia pelo América Mineiro, onde atuou como jogador amador, e, sempre que podia, acompanhava partidas daquele time. Também foi apreciador das serenatas e serestas.
Estudou no seminário diocesano de Diamantina, dirigido pelos padres vicentinos, onde concluiu o curso de humanidades aos 15 anos incompletos. Depois estudou medicina em Belo Horizonte, formando-se em 1927. Fez pós-graduação e estágio complementar em Paris e Berlim em 1930 especializando-se em urologia.
Casou-se com Sarah Gomes de Lemos em 1931. No ano seguinte, foi nomeado como capitão-médico da Polícia Militar de Minas Gerais. Como médico, serviu nas tropas mineiras que combatiam a Revolução de 1932.
Iniciou sua carreira política em 1934, quando foi nomeado chefe da Casa Civil do então interventor federal em Minas Gerais, Benedito Valadares, que o conheceu, na campanha da Serra da Mantiqueira, quando combatiam São Paulo.
Foi eleito deputado federal, em 1934, pelo recém criado Partido Progressista, e exerceu o mandato de deputado federal até o fechamento do Congresso Nacional, em 10 de novembro de 1937, com o golpe do Estado Novo. Chegou ao posto de tenente-coronel-médico da Polícia Militar de Minas Gerais. Foi prefeito de Belo Horizonte, nomeado por Benedito Valadares, de 1940 a 1945. Foi eleito deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte de 1945, pelo Partido Social Democrático (PSD).
Destacou-se muito por sua oratória.[4] Seus discursos mais importantes, com as frases que ficaram famosas, como "Deus me poupou o sentimento do medo", foram escritos pelo poeta Augusto Frederico Schmidt.[5]
Juscelino, porém, destacou-se mais nos cargos executivos que ocupou, e, pela sua atuação neles, ficou conhecido como um político do tipo "tocador de obras". Destacou-se, também, na chamada política de bastidores, típica de Minas Gerais e de seu segundo partido político, o PSD.[6]
[editar] Cargos executivos
- Prefeito de Belo Horizonte de 19 de outubro de 1940 a 30 de outubro de 1945, nomeado pelo então governador de Minas Gerais Benedito Valadares. Seu mandato terminou com a queda do Estado Novo quando os interventores e prefeitos nomeados durante o Estado Novo foram exonerados de seus cargos. Deixou um rico acervo arquitetônico em grande parte assinado pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer, pavimentou a Avenida do Contorno e criou vários bairros em Belo Horizonte.
- Governador de Minas Gerais, de 31 de janeiro de 1951 a 31 de março de 1955, quando passou o governo para Clóvis Salgado para poder se candidatar à presidência da República. O que foi decisivo para que o PSD escolhesse JK como seu candidato ao governo de Minas foi que JK conseguiu o apoio do PR de Artur Bernardes à candidatura do PSD. Sua administração estadual foi muito dinâmica: Construiu cinco usinas hidrelétricas e abriu mais de três mil quilômetros de rodovias, o que lhe rendeu projeção nacional; Seu lema era o Binômio Energia e Transporte. A maior dificuldade como governador foi uma revolta ocorrida na cidade de Uberaba, em 1952, contra os elevados impostos estaduais..[7] Prometeu, em 1952, que, em dois anos, construiria uma siderúrgica e cumpriu: Em 12 de agosto de 1954 era inaugurada, com a presença de Getúlio Vargas, a Siderúrgica Mannesmann, na região metropolitana de Belo Horizonte.
- Presidente da República de 1956 a 1961, cumprindo um mandato único de 5 anos. Não havia reeleição naquela época. Foi o primeiro presidente civil desde Artur Bernardes a cumprir integralmente seu mandato. Foi eleito com 36% dos votos numa coligação entre o PSD e o PTB, que elegeu João Goulart como seu vice-presidente. Juscelino Kubitschek empolgou o país com seu reclame: "Cinquenta anos em cinco", conseguiu encetar um processo de rápida industrialização, tendo como carro-chefe a indústria automobilística. Houve, no seu governo, um forte crescimento econômico, porém também um significativo aumento da dívida pública interna e da dívida externa e da inflação nos governos seguintes de Jânio Quadros e João Goulart. Os anos de seu governo são lembrados como "Os Anos Dourados", que coincidiu com a fase de prosperidade norte americana conhecida como "The Great American Celebration", caracterizada pela baixa inflação e elevado crescimento econômico e do padrão de vida dos norte americanos.
[editar] A eleição de Juscelino Kubitschek à presidência da República
Pela aliança PSD-PTB, Juscelino foi eleito Presidente da República, em 3 de outubro de 1955, com 36% dos votos válidos, a menor votação de todos os presidentes eleitos de 1945 a 1960.
Naquela época as eleições se realizavam em turno único. Nesta eleição, pela primeira vez no Brasil, se utilizou a cédula eleitoral oficial confeccionada pela Justiça Eleitoral. Antes de 1955, os próprios partidos políticos confeccionavam e distribuíam as cédulas eleitorais.
Foi difícil o lançamento da candidatura Juscelino, pois, se acreditava em um veto militar a ela. Juscelino era acusado de ser apoiado pelos comunistas. Somente quando o presidente da república Café Filho divulgou a carta dos militares na Voz do Brasil foi que Juscelino se lançou candidato, alegando que a carta dos militares não citava o seu nome..[3]
Para dar legitimidade e prestígio à sua candidatura a presidente, JK visitou o já idoso e venerando ex-presidente da república Venceslau Brás em sua residência no sul de Minas. Pediu e conseguiu o apoio do antigo presidente à sua candidatura.
Juscelino obteve, em 3 de outubro de 1955, 500 mil votos a mais que o candidato da UDN Juarez Távora, e 700 mil votos a mais que o terceiro colocado, o ex-governador de São Paulo Ademar de Barros. Juscelino foi favorecido pelo lançamento da candidatura de Plínio Salgado, a qual tirou votos do candidato Juarez Távora. Plínio Salgado teve 500.000 votos.
A UDN tentou impugnar o resultado da eleição, sob a alegação de que Juscelino não obteve vitória por maioria absoluta dos votos. A posse de Juscelino e do vice-presidente eleito João Goulart só foi garantida com um levante militar liderado pelo ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, que, em 11 de novembro de 1955, depôs o então presidente interino da República Carlos Luz. Suspeitava-se que Carlos Luz, da UDN, não daria posse ao presidente eleito Juscelino. Assumiu a presidência, após o golpe de 11 de novembro, o presidente do Senado Federal, Nereu Ramos, que concluiu o mandato de Getúlio Vargas que fora eleito para governar de 1951 a 1956. O Brasil permaneceu em estado de sítio até a posse de JK em 31 de janeiro de 1956.
[editar] Aspectos marcantes do seu mandato como presidente do Brasil
Juscelino foi o último presidente da República a assumir o cargo no Palácio do Catete. Foi empossado em 31 de janeiro de 1956, e, governou por 5 anos, até 31 de janeiro de 1961.
[editar] O Plano de Metas
Em seu mandato presidencial, Juscelino lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento, também chamado de Plano de Metas, que tinha o célebre lema "Cinquenta anos em cinco".
O plano tinha 31 metas distribuídas em 5 grandes grupos: Energia, Transportes, Alimentação, Indústria de base, Educação, e, a meta principal ou meta síntese: Brasília. O Plano de Metas visava estimular a diversificação e o crescimento da economia brasileira, baseado na expansão industrial e na integração dos povos de todas as regiões do Brasil através da nova capital localizada no centro do território brasileiro, na região do Brasil Central.
[editar] A convivência democrática
Outro fato importante do governo de JK foi a manutenção do regime democrático e da estabilidade política, que gerou um clima de confiança e de esperança no futuro entre os brasileiros. Teve grande habilidade política para conciliar os diversos setores da sociedade brasileira, mostrando-lhes as vantagens de cada setor dentro da estratégia de desenvolvimento de seu governo.
JK evitou qualquer confronto direto com seus adversários políticos e apelou a eles para que fizessem oposição sempre dentro das leis democráticas. Anistiou os militares revoltosos de Jacareacanga e Aragarças. Sendo que muitos políticos da UDN, (adversária do PSD de Juscelino), o apoiavam, ficando, estes políticos, conhecidos como a UDN chapa-branca..[8]
Seu maior adversário foi Carlos Lacerda, com o qual se reconciliou posteriormente. Juscelino não permitiu o acesso de Carlos Lacerda à televisão durante todo o seu governo. Juscelino confessou a Lacerda, depois, que se tivesse deixado Lacerda ter acesso a televisão, este o derrubaria.[8]
[editar] A Economia brasileira e as obras realizadas
O governo de Juscelino Kubitschek usou uma plataforma nacional desenvolvimentista, o Plano de Metas, lançado em 1956, e permitiu a abertura da economia brasileira ao capital estrangeiro. Isentou de impostos de importação as máquinas e equipamentos industriais, assim como os capitais externos, desde que associados ao capital nacional ("capital associado"). Para ampliar o mercado interno, o plano ofereceu uma generosa política de crédito ao consumidor.
JK promoveu a implantação da indústria automobilística, com a vinda de fábricas de automóveis para o Brasil, promoveu a indústria naval, a expansão da indústria pesada, a construção de usinas siderúrgicas e de grande usinas hidrelétricas, como Furnas e Três Marias, abriu as rodovias transregionais e aumentou a produção de petróleo da Petrobrás. Com exceção das empresas de energia hidrelétrica, Juscelino praticamente não criou nenhuma empresa estatal.
Em 15 de dezembro de 1959, JK criou a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste, Sudene, para integrar a região ao mercado nacional. Também em 1959, Juscelino rompeu com o FMI por não aceitar a reforma cambial pedida pelo FMI.
Entre 1959 e 1960, houve uma crise na obra de construção de Brasília. As verbas haviam acabado e JK entendia que não poderia terminar o governo sem construir Brasília. JK rompeu com o FMI, pois este havia proposto reformas econômicas que não seguiam o seu modelo de governo, e, sendo assim, precisou agir de outra forma para conseguir o capital para terminar Brasília. JK emitiu títulos da dívida pública e cartas precatórias. Estas consistem em papéis negociados na bolsa de valores para se conseguir capital de curto prazo. JK vendeu esses papéis com deságio, ou seja, com um preço abaixo do valor de mercado que poderia ser recuperado posteriormente em um prazo de 5 anos. Com isso, JK conseguiu dinheiro para terminar a construção de Brasília. Isso, no entanto, fez com que JK fosse acusado de inviabilizar os próximos governos do país, por aumentar a dívida pública federal.
Junto com Brasília, uma grande obra rodoviária ajudou muito o povoamento e desenvolvimento do Centro Oeste do Brasil e da Amazônia: A rodovia Belém-Brasília. Outra obra rodoviária importante ligando regiões brasileiras, feita por Juscelino, foi a Rodovia Régis Bittencourt que liga o Sudeste do Brasil ao Sul do Brasil.
Os críticos de Juscelino Kubitschek frisam o fato de ele ter priorizado o transporte rodoviário em detrimento do transporte ferroviário devido à implantação da indústria automobilística no Brasil, o que teria causado prejuízos ou isolamento de certas cidades. A opção pelas rodovias é considerada por muitos danosa aos interesses do país, que estaria mais bem servido por uma grande rede ferroviária. Na década de 1920, o presidente Washington Luís também havia sido contestado por construir rodovias.
A dívida externa brasileira aumentou 1,5 bilhão de dólares, chegando ao todo a 3,8 bilhões de dólares no final do governo JK. Esta dívida foi ainda agravada pelas altas remessas de lucros das empresas estrangeiras de "capital associado" e pelo consequente aumento do déficit na balança de pagamentos.
Houve também a criação de uma nova dívida interna (+- 0,5 bilhões de dólares).
Apesar do crescimento econômico, segundo alguns críticos, o mandato de Juscelino Kubitschek terminou com crescimento da inflação, aumento da concentração de renda e arrocho salarial. Ocorreram várias manifestações populares, com greves na zona rural e nos centros industriais que se alastram nos governos seguintes.
De fato, a expansão do crédito, a grande quantidade de importações para indústria automobilística e as constantes emissões de moeda - para manter os investimentos estatais e pagar os empréstimos externos - provocaram crescimento da inflação e queda no valor dos salários. Em 1960, a inflação estava a 25% ao ano, subiu para 43% em 1961, para 55% em 1962 e chegou a 81% em 1963. Durante o governo JK, a produção industrial cresceu 80%, os lucros da indústria cresceram 76%, mas os salários cresceram apenas 15%.
Porém, o salário-mínimo do trabalhador brasileiro, em 1959, foi, considerado o mais alto, em valores reais, de todos os tempos.
[editar] Construção de Brasília
A construção de Brasília foi, sem dúvida, um dos fatos mais marcantes da história brasileira do século XX. A ideia de construir uma nova capital no centro geográfico do País estava prevista na Constituição de 1891, na Constituição de 1934 e na Constituição de 1946, mas foi adiada, sua construção, por todos os governos brasileiros desde 1891.
A promessa de construir Brasília foi feita, por JK, no dia 4 de abril de 1955, em um comício, em Jataí, no estado de Goiás, quando, no final do comício, JK resolveu ouvir perguntas de populares, e, o estudante para tabelião Antônio Soares Neto, o Toniquinho, perguntou a JK se este iria cumprir toda a constituição do Brasil de 1946, inclusive o artigo referente a nova capital..[9].[3]
"Toniquinho" se referia ao artigo 4º das disposições transitórias da Constituição de 1946 que dizia:
- Art 4º - A Capital da União será transferida para o planalto central do país.
O Congresso Nacional, mesmo com descrença, aprovou a Lei n° 2.874, sancionada por JK, em 19 de setembro de 1956, determinando a mudança da Capital Federal e criando a Companhia Urbanizadora da Nova Capital — Novacap.
As obras, lideradas pelos arquitetos Lúcio Costa e Oscar Niemeyer começaram com entusiasmo em fevereiro de 1957. Mais de 200 máquinas e de 30 mil operários - os candangos - vindos de todas as regiões do Brasil (principalmente do Nordeste do Brasil), exerceram um regime de trabalho ininterrupto, dia e noite, para construir e concluir Brasília até a data prefixada de 21 de abril de 1960, em homenagem à Inconfidência Mineira.
As obras terminaram em tempo recorde de 41 meses — antes do prazo previsto. Já no dia da inauguração, em pomposa cerimônia, Brasília era considerada como uma das obras mais importantes da arquitetura e do urbanismo contemporâneos.
Além da obediência à Constituição, a construção da Nova Capital visava a integração de todas as regiões do Brasil, a geração de empregos, absorvendo o excedente de mão-de-obra da região Nordeste do Brasil e o estímulo ao desenvolvimento do interior, desafogando a economia saturada do centro-sul do País.
[editar] Política Externa
No plano internacional, Juscelino procurou estreitar as relações entre o Brasil e os Estados Unidos da América, ciente de que isso ajudaria na implementação de sua política econômica industrial e na preservação da democracia brasileira.
Formulou a Operação Pan-americana, iniciativa diplomática em que solicitava apoio dos Estados Unidos ao desenvolvimento da América do Sul, como forma de evitar que o continente americano fosse assolado pelo fantasma do comunismo.
[editar] Rebeliões
Em seu governo ocorreram duas rebeliões de oficiais da Força Aérea Brasileira: Em 19 de fevereiro de 1956, em Jacareacanga no Pará, e, em 3 de dezembro de 1959, em Aragarças em Goiás. Ambas foram rapidamente controladas e seus líderes foram, logo depois, anistiados por Juscelino.
[editar] Corrupção
JK também foi acusado diversas vezes de corrupção. As acusações vinham desde os tempos em que ele era governador, e se intensificaram no período em que ele foi presidente. As denúncias se multiplicaram por conta da construção de Brasília: havia sérios indícios de superfaturamento das obras e favorecimento de empreiteiros ligados ao grupo político de Juscelino, além do fato de apenas a Panair do Brasil fazer, quase com monopólio, transporte de pessoas e materiais.
Na época, a imprensa chegou a dizer que JK teria a sétima maior fortuna do mundo, o que nunca foi provado. Durante a campanha de sucessão presidencial, as denúncias de corrupção contra JK foram amplamente exploradas pelo candidato Jânio Quadros, que prometia "varrer a corrupção" do governo de JK. JK respondeu a inquérito policial militar (IPM) durante o regime militar, acusado de corrupção e de ter apoio dos comunistas.
A Panair do Brasil foi depois perseguida e levada à falência pelo regime militar.
Quando de sua morte, porém, o seu inventário de bens mostrou um patrimônio modesto, tendo sua filha Márcia precisado vender uma apartamento para financiar sua campanha eleitoral à Câmara dos Deputados..[10]
[editar] Espiritismo
Há relatos dando conta de que o presidente Juscelino enviava perguntas ao médium Chico Xavier pedindo conselhos sobre problemas enfrentados durante a construção de Brasília[11]
Concedeu indulto ao médium Arigó, que fora preso acusado de bruxaria e prática ilegal da medicina. Existem relatos de que JK fazia parte da Maçonaria. E que a construção de Brasília foi inspirada em uma cidade egípcia, já que Juscelino acreditava fielmente ser representante do Deus-SOL (um Deus egípcio).
[editar] A eleição do sucessor de JK
As eleições de 3 de outubro de 1960 foram vencidas pelo candidato oposicionista Jânio Quadros, ex-governador de São Paulo apoiado pela UDN. Jânio obteve 48% dos votos válidos, em um total de quase 6 milhões de votos, a maior votação nominal obtida por um político brasileiro até então. Juscelino apoiou o marechal Henrique Lott, seu ministro da guerra (hoje comandante do exército) e que havia garantido a posse de JK em 1955. Lott era o candidato a presidente pela aliança PSD-PTB que tinha João Goulart candidato a reeleição como vice-presidente da república. A disputa entre Jânio e Lott foi chamada de A Campanha da Vassoura contra a Espada. Ademar de Barros, novamente candidato, definiu-se como "A candidatura de protesto", e obteve o terceiro lugar.
Ao passar a faixa presidencial para Jânio Quadros, em 31 de janeiro de 1961, Juscelino tornou-se o primeiro presidente civil desde Artur Bernardes, eleito pelo voto direto, que iniciou e concluiu seu mandato dentro do prazo determinado pela Constituição Federal. Após JK, o primeiro presidente civil, eleito pelo voto direto, a cumprir integralmente seu mandato foi Fernando Henrique Cardoso.
[editar] Anos Dourados
Após a retomada da democracia no Brasil em 1945, Juscelino Kubitschek e sua atuação como governador de Minas Gerais e na Presidência da república, foram referências para o Brasil entre os anos de 1951 e 1961. A era JK estava em todo canto, nos chamados "Anos Dourados". Ao longo da década de 1950, a economia brasileira foi industrializada rapidamente, passando de rural a urbana.
Nessa época foram aparecendo os eletrodomésticos, que prometiam facilitar a vida do lar. Eram de todos os tipos, desde enceradeiras até aspiradores de pó. Foram criados os objetos de plástico e fibra sintética, além de carros e casas, com mobílias com menos adornos.
Em se tratando estilo de vida, foi criado o que se chamou de "American Way of Life" (Estilo de vida americano) por conta da influência norte-americana durante e após a Segunda Guerra Mundial.
Enquanto tudo isso se consolidava, os meios de comunicação se ampliavam. Eram rádios, revistas, jornais, radionovelas, o teatro de revista, as chanchadas e programas musicais e de humor.
O cinema brasileiro teve sua fase dourada, nos anos 1950, com a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, de São Paulo, e a premiação do filme O Cangaceiro, no exterior, em 1953. Foi também a fase dos musicais e comédias, as chanchadas, da Atlântida Cinematográfica do Rio de Janeiro.
Os teatros, rádios, especialmente a Rádio Nacional, radionovelas, teleteatros e telejornais tinham mais audiência que nunca. Em 1958, a música brasileira fora consolidada, com sucessos como "Chega de saudade" de Vinicius de Moraes. Fora criada também a Bossa-Nova.
A nova capital Brasília surge de uma do trabalho conjunto de JK, Lúcio Costa e Oscar Niemeyer. No esporte, a seleção brasileira de futebol foi campeã na Copa do Mundo de 1958 na Suécia, o boxeador peso-galo Éder Jofre foi campeão mundial de boxe; Em 1959 a seleção brasileira de basquete masculina foi campeã mundial no Chile e a tenista Maria Esther Bueno venceu os torneios de Wimbledon e o US Open.
O salário-mínimo, em 1959, em termos reais, descontado a inflação, ou seja, em valores reais, é considerado o mais alto da história do Brasil.
Os anos dourados inspiraram o espírito otimista e inovador, consagrando assim o governo de Juscelino Kubitschek.
[editar] Após a presidência
Juscelino foi Senador por Goiás em 1962. Juscelino ambicionava concorrer novamente à Presidência da República em 1965, na pré-campanha eleitoral chamada de JK-65, projeto abortado pelo golpe militar de 1964, também chamado de Revolução de 1964.
Em 11 de abril de 1964, o Congresso Nacional elegeu o general Castelo Branco presidente da república e o antigo amigo de Juscelino, do tempo do seminário em Diamantina, José Maria Alkmin, como vice-presidente da república. Juscelino na condição de senador por Goiás, votou em Castelo Branco e em Alkimin.
Acusado de corrupção e de ser apoiado pelos comunistas, teve os direitos políticos cassados em 15 de junho de 1964 perdendo o mandato de senador por Goiás. A partir de então passou a percorrer cidades dos Estados Unidos da América e da Europa, em um exílio voluntário. Voltou ao Brasil, logo depois das eleições de 3 de outubro de 1965, quando, adversários do governo Castelo Branco venceram as eleições para governador na Guanabara e em Minas Gerais, porém permaneceu pouco no Brasil, logo voltando para o exílio. Após esse segundo exílio voluntário, regressou definitivamente, ao Brasil, em 1967.
Posteriormente, tentou articular, em 1967, a Frente Ampla de oposição ao regime militar, juntamente com o ex-presidente João Goulart e o ex-governador da Guanabara Carlos Lacerda, este último seu antigo adversário político.
JK pretendeu voltar para a vida política, depois de passados os 10 anos que duravam as cassações de direitos políticos. Para dissuadi-lo, os militares usaram os fantasmas das denúncias de corrupção, buscando desmoralizá-lo politicamente. Eles ameaçavam levar as investigações adiante caso Juscelino tentasse voltar à cena política.
Apesar dos fortes indícios de corrupção e da pressão de alguns segmentos políticos e da opinião pública da época, JK nunca chegou a responder formalmente à Justiça pelas acusações de corrupção, porém respondeu aos IPM, inquéritos policiais militares.
Faleceu em 1976, em um desastre automobilístico, em circunstâncias até hoje pouco claras, no quilômetro 328 da Rodovia Presidente Dutra, em um automóvel Chevrolet Opala, na altura da cidade fluminense de Resende. Até hoje, o local do acidente é conhecido como "Curva do JK". Mais de 300 mil pessoas assistiram a seu funeral em Brasília, onde a multidão cantou a música que o identificava: Peixe Vivo. Seus restos mortais estão no Memorial JK, construído em 1981, na Capital Federal Brasília por ele fundada.
Em 1996, seu corpo foi exumado, para se esclarecer a causa de sua morte, levantando-se novamente a polêmica sobre o caso.[12]
[editar] Representações na cultura
A vida e carreira política de Juscelino Kubitschek foi tema de muitos livros, e, de 3 de Janeiro até 24 de março de 2006, foi contada através de uma minissérie da Rede Globo intitulada "JK".
Juscelino Kubitschek já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por José de Abreu no filme "JK - Bela Noite Para Voar" (2005), e José Wilker e Wagner Moura na minissérie de televisão "JK" em 2006.
Também teve sua efígie impressa nas notas de Cz$ 100,00 (cem cruzados) de 1986, e cunhada no verso das moedas comemorativas de 1 real, lançadas em 2002, no Brasil, por ocasião do centenário de seu nascimento.
[editar] Ministros
- Aeronáutica: Vasco Alves Seco, Henrique Fleiuss, Francisco de Assis Correia de Melo;
- Agricultura: Ernesto Dornelles, José Parsifal Barroso (interino), Mário Meneghetti, Luís Guimarães Júnior (interino), Paulo Fróis da Cruz (interino), Fernando Nóbrega (interino), Antônio de Barros Carvalho;
- Educação e Cultura: Clóvis Salgado da Gama, Celso Teixeira Brant (interino), Nereu Ramos (interino), Pedro Calmon, José Pedro Ferreira da Costa (interino), Pedro Paulo Penido;
- Fazenda: José Maria Alkmin, João de Oliveira Castro Viana Júnior (interino), Lucas Lopes, Sebastião Pais de Almeida, Maurício Chagas Bicalho (interino), Antônio Carlos Barcellos (interino);
- Guerra: Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, Odílio Denys;
- Justiça e Negócios Interiores: Nereu Ramos, José Carlos de Macedo Soares (interino), Eurico de Aguiar Sales, Carlos Cirilo Júnior, Armando Falcão;
- Marinha: Renato de Almeida Guillobel (interino), Antônio Alves Câmara Júnior, Jorge do Paço Matoso Maia, Jorge da Silva Leite (interino);
- Relações Exteriores: José Carlos de Macedo Soares, Décio Honorato de Moura, Francisco Negrão de Lima, Antônio Barreto Mendes Viana, Horácio Lafer, Armando Falcão, Fernando Ramos de Alencar, Edmundo Pena Barbosa da Silva;
- Saúde: Maurício Campos de Medeiros, Mário Pinotti, Pedro Paulo Penido (interino), Armando Falcão (interino);
- Trabalho, Indústria e Comércio: José Parsifal Barroso, Mário Meneghetti, Fernando Nóbrega, Alírio Sales Coelho (interino), João Batista Ramos;
- Viação e Obras Públicas: Lúcio Martins Meira, Ernani do Amaral Peixoto.
[editar] Cronologia sumária

Referências
- ↑ [http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/ciganos/a_pdf/zarco_jk_cigano.pdf Zarco Fernandes -- JUSCELINO KUBITSCHEK "JUSSA": O ESTADISTA CIGANO]
- ↑ Conheça o fascínio do povo cigano
- ↑ 3,0 3,1 3,2 CHAGAS, Carmo, Política – Arte de Minas, Editora Carthago & Forte, São Paulo, 1994.
- ↑ SODRÉ, Hélio, A Eloquência de Juscelino Kubitschek, Editora Rio, 1960.
- ↑ FALCÃO, Armando, Tudo a declarar, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1989.
- ↑ CHAGAS, Carmo, Política – Arte de Minas, Editora Carthago & Forte, São Paulo, 1994.
- ↑ Reds Lead Brazil Tax Riot Spree That Causes Damage of $6,000,000; Income Tax Office and Other Buildings Are Wrecked in Minas Geraes Town, The New York Times, 26 de abril de 1952
- ↑ 8,0 8,1 LACERDA, Carlos, Depoimento, Editora Nova Fronteira, 1977
- ↑ KUBITSCHEK, Juscelino, Por Que Construí Brasília?, Editora Bloch, 1975.
- ↑ JARDIM, Serafim, Juscelino Kubitschek - Onde Está a Verdade?, Editora Vozes, 1999
- ↑ Nonato, A. F.. JK e os Bastidores da Construção de Brasília.
- ↑ *JARDIM, Serafim, Juscelino Kubitschek - Onde Está a Verdade?, Editora Vozes, 1999.
[editar] Bibliografia
- _________ Juscelino Em Diamantina - Criando Saudades 1902-1919,Editora Casa de Juscelino, 2002.
- ___________ Fundo Juscelino Kubitschek - Arquivo Nacional, Verano Editora, 2004.
- __________, Juscelino Prefeito 1940-1945, Editora Rona, 2002.
- __________, Juscelino, in Revista do Legislativo - Edição Histórica, Editora Assembléia Legislativa de Minas Gerais, 2002.
- __________, Programa de Metas do Presidente Juscelino Kubitschek, Editora Imprensa Nacional, 1958.
- __________,Resenha do Governo do Presidente Juscelino Kubitschek 1951-1961, 2 Volumes, Editora Serviço de Documentação da Presidência da República, 1960.
- ARAÚJO, Fernando, Juscelino Kubitschek, o Médico, Editora Belo Horizonte, 2000.
- CHAGAS, Carmo,Política – Arte de Minas, Editora Carthago & Forte, São Paulo, 1994.
- CHAGAS, Paulo Pinheiro, A Respostas de Juscelino Ensaio Sobre a Formação do Povo Mineiro, Editora Belo Horizonte, 1953.
- COHEN, Marleine, JK - O Presidente Bossa nova, Editora Globo, 2001.
- JARDIM, Serafim, Juscelino Kubitschek - Onde Está a Verdade?, Editora Vozes, 1999.
- JUREMA, Abelardo, Juscelino e Jango, PSD e PTB, Editora Artenova, 1979.
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[editar] Ver também
[editar] Ligações externas
- O governo Juscelino Kubitschek no sítio oficial da Presidência da República do Brasil (em português)
- Mensagens ao Congresso Nacional
- Centenário de JK: A Revolução do Otimismo
| Precedido por José Osvaldo de Araújo |
Prefeito de Belo Horizonte 1940 — 1945 |
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