Brancos
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Brancos ou caucasianos são um termos que geralmente se referem aos seres humanos caracterizados, pelo menos em parte, pela cor clara de sua pele. Ao invés de uma simples descrição da cor da pele, o termo "branco" também funciona como uma terminologia de cor para raça, muitas vezes referindo-se restritamente às pessoas que reivindicam ascendência exclusivamente europeia.
A definição de uma "pessoa branca" difere de acordo com o contexto geográfico e histórico, várias construções sociais de brancura tiveram implicações em termos de identidade nacional, consanguinidade, ordem pública, religião, estatísticas demográficas, segregação racial/ação afirmativa, eugenia, marginalização racial e cotas raciais. O conceito tem sido aplicado com diferentes graus de formalidade e de consistência interna em disciplinas como: sociologia, política, genética, biologia, medicina, biomedicina, linguagem, cultura e direito.
Uma definição comum de uma pessoa "branca" é uma pessoa principalmente, ou totalmente, de ascendência europeia.[1] No entanto, o termo é usado às vezes de forma mais ampla, de modo que se torna semelhante ao conceito da raça branca ou de pessoas caucasóides, que incluem as pessoas com ascendência do Oriente Médio, Norte da África e partes da Ásia Central e Meridional, que compartilham certas características fisiológicas e genéticas com os europeus, além da cor da pele.
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[editar] Etimologia do termo caucasiano
O termo surgiu de antigos estudos feitos por estudiosos da craniologia, que consideraram que os crânios de pessoas que viviam no Cáucaso eram iguais (metricamente) aos de europeus, povos norte-africanos nativos (como os cabilas), alguns povos do subcontinente indiano e da Ásia Ocidental.[2] O termo "raça caucasiana" foi criado pelo filósofo Christoph Meiners no século XVIII, mas só se popularizou no século XIX, com o nome de "Varietas Caucasia" pelo cientista e naturalista alemão Johann Friedrich Blumenbach, que pegou emprestado o termo de Meiners.[3] Blumenbach definiu esta classificação racial baseando-se nas feições do crânio de povos caucasianos, similares as encontradas nos povos europeus.[4] Da similaridade do crânio, Blumenbach formou a teoria de que as feições comuns a todos os europeus teriam surgido no Cáucaso.
[editar] História
Através das grandes navegações e a expansão territorial européia, os europeus tiveram contato com outros povos e o termo "branco" surgiu para definir os diferentes povos, tendo em vista a característica fenotípica mais evidente: a cor da pele. Como foram os europeus que cunharam essa definição, o termo acabou sendo mais relacionado com a Europa e toda a civilização ocidental.
[editar] Distribuição geográfica
Os locais que possuem população predominantemente branca são as regiões do Maghreb, da Europa, América do Norte (exceto México), a porção meridional da América do Sul, Oriente Médio; e países como Austrália e Nova Zelândia, também há populações consideráveis na África do Sul, na Índia e na América Latina, como por exemplo no Brasil, Argentina, Chile, Costa Rica e Uruguai.
O conceito acerca da determinação de quem é branco ou não varia entre um país e outro. No Brasil por exemplo, as pessoas declaram-se ao censo do IBGE como quiserem [5]. De acordo com o último censo do IBGE, aproximadamente metade da população brasileira (49%) se declara como branca.
[editar] Brancos no Brasil
Uma pesquisa realizada com mais de 34 milhões de brasileiros, dos quais quase vinte milhões se declaram brancos, perguntou a origem étnica dos participantes de cor ou raça branca. A maior parte apontou origem brasileira (45,53%). 15,72% apontou origem italiana, 14,50% portuguesa, 6,42% espanhola, 5,51% alemã e 12,32% outras origens, que incluem africana, indígena, judaica e árabe.[6]
Os números condizem fortemente com o passado imigratório no Brasil. Entre o final do século XIX e início do século XX, sobretudo após a Abolição da Escravatura, o Estado brasileiro passou a incentivar a vinda de imigrantes para substituir a mão-de-obra africana. Entre 1870 e 1951, de Portugal e da Itália chegaram números próximos de imigrantes, cerca de 1,5 milhão de italianos e 1,4 milhão de portugueses. Da Espanha chegaram cerca de 650 mil e da Alemanha em torno de 260 mil imigrados. Os números refletem as porcentagens das origens declaradas pelos brancos brasileiros.[7]
É notório, porém, que quase metade dos brancos pesquisados declararam ser de origem brasileira. É explicável pelo fato de a imigração portuguesa no Brasil ser bastante antiga, remontando mais de quinhentos anos, fato que muitos brasileiros brancos desconhecem tais origens por já terem suas famílias enraizadas no Brasil há séculos. [8]
Se se considerar os brancos que se afirmaram de origem brasileira como descendentes remotos de portugueses, 60,03% da população branca do Brasil é de origem portuguesa. Em suma, vivem em Portugal 10 milhões de portugueses e no Brasil 26 milhões de pessoas que se consideram etnicamente portuguesas e outras 41 milhões que são, provavelmente, de remota origem lusitana. Observando os muitos milhões de mestiços e negros brasileiros que também possuem antepassados portugueses, é clara a extrema importância dos portugueses na formação étnica do povo brasileiro.
Apenas 4,80% dos brancos brasileiros pesquisados afirmaram ter antepassados indígenas, enquanto somente 1,88% declararam ter antepassados negros africanos. Tais números, porém, não condizem com a realidade genética dos brancos brasileiros que possuem, na maioria dos casos, significante contribuição genética de índios e africanos, devido a séculos de miscigenação entre europeus, nativos e escravos negros.
[editar] Distribuição
A distribuição de pessoas brancas pelo território brasileiro não é uniforme, devido a fatores históricos de colonização e povoamento. O Sul do Brasil é, historicamente, a região com maior percentual de brancos, somando hoje 79,6%. Isto deve-se ao seu modelo colonizador: até meados do século XIX, tratava-se de uma região muito pouco povoada. A chegada de imigrantes, em sua maioria alemães e italianos, teve um enorme peso demográfico, pois povoaram regiões anteriormente vazias ou habitadas pelos índios. [9] O Sudeste do Brasil também é uma região de maior percentual de brancos, compondo hoje 58,8%, pois foi grande receptor de imigrantes europeus, como portugueses, italianos e espanhóis. Porém, o componente negro africano e mestiço foi de fundamental importância étnica regional.[10]
No restante do País, o número de brancos é superado pelo número de pardos. Tal fato é historicamente explicável: O Sul e Sudeste do Brasil receberam a esmagadora maioria dos imigrantes europeus no período da grande imigração (entre 1870 e 1920), em decorrência da falta de mão-de-obra nas lavouras de café e no campo em geral. As outras regiões que na época tinham economia praticamente estagnada, não precisavam de imigrantes. Em decorrência, a população dessas regiões é na sua maioria de pardos descendente de antigos colonos portugueses, que se miscigenaram com índios e negros. Regiões do Nordeste como o Recôncavo baiano e a maior parte litorânea são em sua maioria de mestiços 62,5% como mulatos e mamelucos ou mesmo uma mistura dos três grupos étnicos, seguidos de brancos 29,2%[11]. Na região amazônica, o caboclo, mestiço de índio e branco, é predominante. O Centro-Oeste, região recentemente povoada, teve nos nordestinos sua principal fonte de migrantes, principalmente no Distrito Federal. As únicas exceções são o Mato Grosso do Sul, grande receptor de agricultores sulistas de origem alemã e italiana e Goiás, que não possui uma tradição escravista, portanto, os brancos hoje são uma ligeira maioria.
[editar] Genética
Através de um importante mapeamento genético, chegou-se à conclusão que o brasileiro de "raça" branca é descendente quase que exclusivamente de europeus do lado paterno (90%). Já no lado materno, apresenta uma intensa miscigenação: 33% de linhagens ameríndias, 28% de africanas e 39% de européias. Isso é explicado historicamente: no início da colonização, os colonos portugueses não trouxeram suas mulheres, o que acarretou no relacionamento entre homens portugueses com mulheres indígenas e, mais tarde, com as africanas. Em outras palavras, a maior parte dos brancos do Brasil tem 90% de seus antepassados homens oriundos da Europa, enquanto 60% de suas antepassadas eram indígenas ou africanas.[12]
Referências
- ↑ Bonnett, Alastair (2000) White Identities. Pearson Education. ISBN 058235627X
- ↑ [1]
- ↑ Universidade da Pennsylvania
- ↑ Johann Friedrich Blumenbach, The anthropological treatises of Johann Friedrich Blumenbach, 1865. November 2, 2006. [2]
- ↑ Brazil Separates Into Black and White, LA Times, September 3, 2006.
- ↑ http://br.monografias.com/trabalhos/fora-diversidade-identidades/fora-diversidade-identidades2.shtml#_Toc143094349
- ↑ http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/povoamento/tabelas/imigracao_nacionalidade.htm
- ↑ http://www1.ibge.gov.br/brasil500/portugueses.html
- ↑ http://www.diasmarques.adv.br/pt/historico_imigracao_brasil.htm
- ↑ [3]
- ↑ http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2006/sintese/tab1_2.pdf
- ↑ http://web.educom.pt/p-pmndn/genes_cabral.htm
